O dia em que Pedro Leopoldo virou cidade

O dia em que Pedro Leopoldo virou cidade

O dentista e coletor federal Maurício de Azevedo discursa na sacada da prefeitura no dia da emancipação de Pedro Leopoldo

O dia 27 de janeiro de 1924 amanheceu com as ruas da cidade enfeitadas por bandeirolas e escudos contendo inscrições dos estados brasileiros. Duas bandas de música abrilhantavam as solenidades, tocando nas ruas tomadas pelo povo, contou a revista Passarela, em edição de 1962. À tarde, tomou posse a primeira câmara eleita de vereadores, composta por Amando Belisário Filho, Romero de Carvalho, Ivany Guimarães, João Rodrigues da Silva, Antônio Higyno Costa, Tranquilino Euzébio de Bastos e Cândido José da Silva.

O presidente era Romero de Carvalho que, como tal, também foi o primeiro prefeito da cidade. O governo do Estado se transferiu para Pedro Leopoldo. Vieram para cá autoridades como Cristiano Machado (oficial de gabinete) e Fernando de Mello Viana, secretário de interior do governador Raul Soares. Mello Viana, aliás, seria nomeado governador ainda naquele ano e vice-presidente da república em 1926. Em seu discurso, ele destacou a importância de Pedro Leopoldo como crescente centro industrial e seus pioneiros como fonte inesgotável de energia. Disse ainda que, por manter suas tradições, o povo desta comunidade faria dela “um centro de progresso a brilhar no futuro de grandeza do estado”.

Também estavam presentes o Secretário de Agricultura, Daniel de Carvalho; Afonso de Sá, chefe de polícia; Flávio dos Santos, prefeito de Belo Horizonte; Noraldino Lima, diretor da Imprensa Oficial, entre várias autoridades. Segundo o jornal Diário de Minas, em sua edição de cinco dias depois, 29 de janeiro, “Pedro Leopoldo, uma das mais prósperas vilas recentemente criadas pelo congresso… vestiu-se de galas e vibrou jubilosa ufania ao comemorar esta hora histórica e inesquecível de sua vida”.

A União Orquestra, do maestro Zeca Machado

Um grande banquete foi oferecido às autoridades e convidados ao som dos acordes da União Orquestra, sob a regência do maestro José Flaviano Machado, que era diretor da fábrica de tecidos. O menu era de dar água na boca e oferecia a gastronomia mais elegante da época: creme de aspargos, maionese de camarão, arroz de forno, peixe assado, costeletas à milanesa, peru à brasileira, frutas, doces, queijos, água mineral, vinhos, champagne, licores, café e charutos. A festa foi encerrada com um grande baile no Grupo Escolar Pedro Leopoldo, inaugurado em 1909 e, que posteriormente, se chamaria Grupo São José.

Bianca Alves

Criadora e editora do projeto AQUI PL, é formada em Comunicação Social pela UFMG e trabalhou em publicações como os jornais O Tempo, Pampulha, O Globo; revistas Isto é, Fato Relevante, Sebrae, Mercado Comum e site Os Novos Inconfidentes

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