por Ronny Rodrigues*
Nesta quarta-feira (25/6), o Senado vai votar o projeto que amplia de 513 para 531 o número de deputados federais no Brasil. Baseado no modus operandi dos parlamentares, a proposta será aprovada com folga. Afinal, quando se trata de legislar em causa própria, ideologias são esquecidas e sempre prevalece o corporativismo.
O pretexto oficial para essa ampliação é o suposto dever cívico de ajustar a representatividade proporcional na chamada “Casa do Povo”, com base no último censo demográfico do IBGE, que apontou crescimento populacional em alguns estados. A mesma pesquisa também revelou redução da população em outras unidades da Federação, mas esse detalhe foi convenientemente ignorado.
Em vez de promover uma redistribuição das atuais cadeiras, decidiram criar mais 18. Isso em plena era de ajuste fiscal e contenção de gastos. Uma clara demonstração de que os parlamentares continuam alheios à realidade da população que dizem representar.
Atualmente, cada deputado federal custa, em média, R$273 mil, considerando “apenas” salário, verba de gabinete, cota parlamentar e auxílio-moradia. Com o 13º, são R$3,549 milhões por ano. Multiplicado por 513, o custo anual é de R$1,82 bilhão. Com 18 deputados a mais, o acréscimo será de R$63,9 milhões por ano. Se fosse direcionado para a saúde, esse valor garantiria 13.700 internações anuais para tratamento de pneumonia pelo SUS. A comparação serve apenas para escancarar a total inversão de prioridades.
E como o Brasil não é para amadores, os roteiristas da política nacional já deixaram engatilhada a próxima temporada: a autora da proposta é a deputada federal pelo Rio de Janeiro, Dani Cunha, filha de Eduardo Cunha. Condenado e preso por corrupção, o ex-deputado carioca continua influente nos bastidores de Brasília e já anunciou que vai disputar as eleições de 2026 por Minas Gerais, para não tirar votos da herdeira, que tentará a reeleição.
Entre os nove estados contemplados com a aprovação do projeto, está Minas Gerais, que contará com mais uma cadeira na Câmara e passará a ter 54 deputados federais. Coincidência? Só para quem acredita em fadas, duendes e… políticos.
*Ronny Rodrigues é jornalista há 26 anos e apaixonado pela maltratada Língua Portuguesa. Foi repórter e editor da Rede Globo e TV Alterosa. Também chefiou a Comunicação da Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais.



