Uma crônica de Mário Lúcio Quintão
Papai, palavra mágica que se faz acompanhar de mãos estendidas e de um sorriso sincero. Realmente, sinto saudades de meu pai, Seu Carlos, gerente de banco, contador de causos, com uma gargalhada que ecoava bares afora. Com ele, o mundo era mais divertido e cheio de imaginação.
Chegamos em Pedro Leopoldo em 1965. Papai gostava de pedalar uma bicicleta. Nela, sentia-se dono do mundo. Conhecia todos os becos de nossa cidade. Deixou muitos amigos espalhados por aqui. Meu pai era sonhador. Gerente de banco, sempre era convidado pelos fazendeiros locais, aos domingos, para conhecer o meio rural. Eu, muito curioso, me oferecia para ir com ele.
O almoço mais requintado que participei nessas visitas foi realizado em uma fazenda bem cuidada da família Carvalho, localizada em Vera Cruz de Minas. O anfitrião, o simpático Pedro Ude, vestido com trajes germânicos, nos recepcionou com todas as pompas. Comemos um churrasco caprichado e ouvimos causos engraçados naquele paraíso tropical. Bons tempos!
Vejo no brilho dos olhos de meu sobrinho Leandro a mesma paixão de papai por Pedro Leopoldo. Ou seja, nossa família se radicou definitivamente nesta terra abençoada.
*Mário Lúcio Quintão é advogado, professor, escritor e apaixonado por Pedro Leopoldo




