Moradores do condomínio de Bolsonaro perderam o sossego

Moradores do condomínio de Bolsonaro perderam o sossego

Uma matéria de Luiza Mello*

Manifestantes se concentram na porta do condomínio em que mora o ex-presidente Bolsonaro

A frase “um elefante incomoda muita gente” é parte de uma antiga cantiga popular infantil, que se tornou bastante conhecida no Brasil há algumas décadas. Em 2025, uma nova versão surge com a figura de Jair Bolsonaro (PL), que está sendo julgado esta semana pelo STF,  por tentativa de golpe de Estado, abolição do Estado democrático de Direito, associação criminosa, dano qualificado do patrimônio público e deterioração do patrimônio tombado. Desde a decretação da prisão domiciliar do ex-presidente, no dia 4 de agosto, os moradores do condomínio Solar de Brasília, situado em uma das regiões mais nobres do Distrito Federal, perderam o sossego com o morador ilustre do local.

O aumento da movimentação nos arredores do residencial, incluindo trânsito intenso e concentração de pessoas em frente aos portões, tem sido motivo de reclamações em grupos de mensagens dos residentes. Uma moradora, que pediu para não ser identificada, me revelou que têm enfrentado longas filas e trânsito para chegar até sua residência. “Normalmente chego do trabalho por volta das 19 horas. Nesses últimos dias não consigo chegar antes das 21 horas. Passar pela portaria do condomínio onde resido há 15 anos virou um desafio”, reclama.

No grupo de mensagens que trata de assuntos referentes ao condomínio, os moradores demonstram crescente insatisfação. Entre as preocupações, os moradores temem com uma possível invasão e depredação e citam como exemplo o que ocorreu em 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram vandalizadas por apoiadores do ex-presidente pedindo intervenção militar.

“Eles gritam palavras de ordem o dia inteiro, ficam marchando na frente da portaria, na entrada do condomínio. Tivemos até a visita do “corneteiro”, que tocou a marcha fúnebre. Fora a presença ostensiva de seguranças, policiais e pessoas armadas dentro do condomínio. Nossas crianças costumam andar de bicicleta pelas ruas. Muitas estão presas dentro de casa por receio dos pais de haver algum tumulto”, desabafou a moradora.

As manifestações, que reuniam principalmente apoiadores do ex-presidente, se diversificaram com  julgamento. Nesta terça-feira, 02/9,  apoiadores e opositores à condenação brigaram em frente à porta do condomínio Solar de Brasília. A casa onde Bolsonaro está preso foi alugada pelo PL e se localiza em uma das regiões mais tranquilas da capital federal, o Jardim Botânico, onde predominam os condomínios horizontais. Famílias vivem na região há mais de 30 anos. “Nunca tivemos nada parecido. Carros passam buzinando em altas horas da noite. Carreatas encerram seus percursos aqui na frente de nossas casas”, disse outra moradora, que adquiriu o terreno em 2002.

O Condomínio Solar de Brasília foi fundado em 1992, e completou 33 anos. Criado por meio de um Instrumento Particular de Convenção, desde então se tornou um dos melhores lugares para se viver em Brasília.

*Luiza Mello é jornalista e colaboradora do site AQUI PL. Mineira, está em Brasília há 25 anos, onde trabalha no Senado e colabora com o jornal Diário do Pará. Neste período, morou por quase 20 anos na região do condomínio Solar de Brasília e mantém estreito contato com outras moradoras, suas amigas, que foram fonte desta matéria.

Redação

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