Falando de mulher em PL e no mundo…. ruas, músicas e igualdade

Falando de mulher em PL e no mundo…. ruas, músicas e igualdade

Dia Internacional da Mulher por Bianca Alves, Alan Freitas Passos e Mário Lúcio Quintão

(Ilustração Pixabay)

Neste domingo, 8 de março, comemoramos o Dia Internacional da Mulher. Como diz um amigo, se a mulher tivesse sua contribuição ao mundo valorizada, não precisaria de um dia… mas, como aqui no AQUI PL, todo dia é dia de mulher (leia esta matéria sobre as mulheres nos 100 anos de PL), vamos falar novamente sobre elas.

Começamos por um artigo sobre a presença delas nos nomes de ruas, seguimos com uma bela crônica do psiquiatra Alan Passos sobre as mulheres em forma de canção e finalizamos com um libelo contra a discriminação, escrito pelo professor Mário Lúcio Quintão. Coisas de mulher. Coisas de Pedro Leopoldo.

A mulher está nas ruas

(por Bianca Alves)

Neste fim de semana, o Dia Internacional da Mulher inspira uma reflexão curiosa sobre a forma como as cidades contam a própria história. A TV Globo exibiu neste sábado um programa sobre as ruas de Belo Horizonte que têm nome de mulher — e, como se pode imaginar, elas são minoria.

Em Pedro Leopoldo, a realidade não é muito diferente. Aqui, o dado pode ser confirmado no livro Pedro Leopoldo, entre letras e histórias: memórias de uma cidade centenária, de Letícia Mendes, que reúne os nomes das ruas da cidade e as biografias de quem lhes dá identidade. Entre 492 ruas, apenas 94 têm nome de mulher, o que representa cerca de 20% do total.

É um número pequeno para uma cidade que teve mulheres marcantes e pioneiras em sua história. Entre elas, Zazá Carvalho, que foi prefeita durante o Estado Novo, na década de 1930; Carmen Barroso, vereadora na década de 1950; e  Zélia Cerqueira, que dirigiu por décadas a Fundação Pedro Leopoldo. Hoje, outras mulheres seguem deixando sua marca na cidade, especialmente no universo do empreendedorismo, conduzindo negócios de sucesso e transformando seus empreendimentos em símbolos de confiança e de amor por Pedro Leopoldo.

Fica então a pergunta que este Dia Internacional da Mulher nos convida a fazer: de quem serão os nomes das futuras ruas a serem criadas na cidade?

O próprio livro revela ainda algumas curiosidades sobre a toponímia local. Pedro Leopoldo possui quatro ruas com nomes de padres, três de prefeitos, dois presidentes — Kennedy e Tancredo Neves —, dez professores, quatro vereadores, seis expedicionários e 49 Josés. Já as Marias, são 19.

Os números mostram que a história da cidade está escrita também nas placas das ruas — e talvez ainda haja espaço para que mais mulheres façam parte desse mapa da memória coletiva.

Canção de amiga

(Por Alan Passos)

Na poesia medieval havia as cantigas de amigo: a voz feminina cantando amor, espera e desejo.

Séculos depois, a música popular brasileira continua essa tradição.

Alguns versos dizem tudo:

“Dizem que a mulher é o sexo frágil / mas que mentira absurda.”
— Erasmo Carlos

“Maria, Maria / é um dom, uma certa magia.”
— Milton Nascimento & Fernando Brant

“Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça.”
— Tom Jobim & Vinicius de Moraes

“Um dia vivi a ilusão de que ser homem bastaria.”
— Gilberto Gil

Talvez a canção brasileira tenha percebido algo simples:

a mulher não é apenas tema da canção.

Ela é a própria razão de cantar.

Pela dignidade das mulheres!

(Por Mário Lúcio Quintão)

Meu mundo é feminino. Sou pai de três filhas, todas feministas. E lutam contra uma discriminação que não é recente na história da humanidade. Essa discriminação na Antiguidade era estrutural e patriarcal, com mulheres vistas como inferiores, sem direitos políticos ou cidadania plena. Limitadas ao ambiente doméstico, se submetiam à autoridade absoluta de pais ou maridos (paterfamilias), muitas vezes consideradas propriedades ou objetos.

A prática da misoginia se demonstrava comum, com interpretações culturais e religiosas que reforçavam a visão da mulher como frágil, prejudicial ou tentadora, justificando seu controle. Embora a situação variasse no processo civilizatório, as mulheres romanas, por exemplo, usufruíam um pouco mais de liberdade de locomoção do que as gregas, e, no Egito, algumas mulheres podiam gerenciar negócios. Não obstante, a desigualdade de gênero era a regra geral.

No decorrer do processo histórico, a discriminação às mulheres integra um sistema de repressão que condicionou o gênero feminino a uma posição hierarquicamente inferior na escala de perfeição metafísica. Dessa submissão se produziu um campo de força de relações assimétricas entre homens e mulheres nas diversas sociedades. Lamentavelmente, na sociedade contemporânea ainda prevalece o preconceito contra as mulheres, que se manifesta pelo machismo ou pela misoginia.

O machismo consiste no sistema de crenças que exalta o homem e seus métodos de dominação. A misoginia é o desprezo ou ódio direcionado às mulheres, geralmente descambando para a violência física e o assédio. Trata-se de um comportamento social estrutural que desvaloriza e agride o gênero feminino, acabando por afetar, no caso do Brasil, 51,5% da população. Essa discriminação se demonstra em formas físicas, psicológicas, econômicas e políticas, e resulta em disparidades salariais, objetificação e crimes como o feminicídio.

Ou seja, através de disparidades salariais, as mulheres recebem menos que homens no exercício da mesma função e são sempre preteridas em cargos de chefia. Agrava-se a situação com o assédio sexual e moral no trabalho, cometido impunemente, bem como com a desvalorização intelectual das mulheres com frases irônicas e agressivas. Devemos, pois, combater essa abominável discriminação mediante processos pedagógicos de educação para igualdade de gênero, campanhas públicas de conscientização e apoio efetivo às vítimas.

As mulheres, em uma democracia incipiente como a brasileira, devem ser protagonistas ativas na construção de uma sociedade mais justa e solidária. Suas participações em posições de liderança fortalecem os alicerces democráticos, garantindo que políticas públicas atendam às necessidades de toda a sociedade, especialmente no combate à violência de gênero e na redução de desigualdades sociais e econômicas.

 

Redação

ARTIGOS RELACIONADOS

Programação vibrante garante sucesso do Carnaval em PL

Programação vibrante garante sucesso do Carnaval em PL

A prefeitura entregou, nestes quatro dias de folia, uma festa que resgatou a essência do carnaval de rua, reunindo famílias, amigos e visitantes em uma celebração marcada pela energia contagiante.

LEIA MAIS
Confira a programação de carnaval em Pedro Leopoldo

Confira a programação de carnaval em Pedro Leopoldo

Trio elétrico, blocos e bandas estão na programação que percorrerá bairros e tem opções para toda a família

LEIA MAIS