Secretário Estadual de Cultura Leônidas de Oliveira destaca ancestralidade, espiritualidade e a força histórica da cidade. Projeto do Centro Cultural Chico Xavier terá apoio do Estado
A visita do Secretário de Cultura e Turismo do Estado, Leônidas de Oliveira, ao Centro Espírita Luiz Gonzaga ganhou o calor das conversas mineiras que parecem nascer naturalmente ao redor da mesa. Entre goles de café fresco, biscoitos fritos e deliciosas rosquinhas de nata do Café & Cia, o final de tarde desta sexta, 15/5, se transformou em encontro de memórias, ancestralidade e identidade mineira.
Ali, entre histórias e reflexões, Leônidas falou sobre seu propósito de reconhecer a “mineiridade” para além do Ciclo do ouro e do barroco — uma Minas mais profunda, ancestral e humana.
Para o secretário, Pedro Leopoldo simboliza essa essência ao unir espiritualidade e ancestralidade em um mesmo território: terra de Luzia, o fóssil da “primeira brasileira”, e de Chico Xavier, eleito o “mineiro do século”. Coincidentemente, características que se repetem em Uberaba, um importante sítio arqueológico e segundo lar do médium pedro-leopoldense em boa parte de sua trajetória.
Leônidas afirmou ainda que Pedro Leopoldo simboliza que é possível questionar uma inversão histórica contra a qual ele próprio se rebela — inclusive nos livros que escreve.
“Temos como nascedouro de Minas o dia 16 de julho de 1694, com a chegada das expedições bandeirantes a Mariana em busca do ouro. É o encontro do ouro que se transforma no marco oficial da história. Mas aqui em Pedro Leopoldo já havia ocupação de bandeirantes 20 anos antes. Quando olhamos para o Norte, em Matias Cardoso, isso acontece 30 ou 40 anos antes desse momento”, observou.
Segundo ele, Minas precisa ser compreendida para além da narrativa única construída em torno do ciclo do ouro. “Pedro Leopoldo é exemplo disso: uma terra milenar. Acho que revisitar essa história é um fator de coesão para Minas Gerais, porque além de Minas, nós temos os Gerais. E vejo tudo isso muito conectado.”
Durante a visita, o secretário conheceu também o terreno onde será construído o Centro Cultural Chico Xavier, ao lado do Centro Espírita Luiz Gonzaga — projeto para o qual a presidente da instituição, Célia Diniz, busca recursos. Com o apoio do governo do Estado, ela espera inaugurar parte do projeto ainda em 2027, que marca o centenário da instituição.
Leônidas, assim como o vice-governador Mateus Simões em visita anterior ao local (veja matéria no site AQUI PL), comprometeu-se a apoiar a iniciativa.
“Nós temos as leis de incentivo, e a ideia é construir os passos e as fases para utilizá-las. O governo vai ajudar por meio de suas empresas, juntamente com a iniciativa privada. É a história de uma cidade que precisa ser contada — e o Estado vai apoiar.”
Ao falar sobre Chico Xavier, o secretário revelou profunda admiração pela postura humana e conciliadora do médium. “Chico nunca julgou as pessoas por riqueza, religião ou cor, e isso é muito importante neste Brasil dividido. Ele é um fator de união”, afirmou, lamentando o atual cenário de polarização política.
“Chico Xavier acolheu a todos. E a história também precisa acolher todas as nuances. Porque, quando existe apenas uma narrativa, ela se torna excludente e maléfica.”
O secretário esteve acompanhado, durante a visita ao Centro Espírita Luiz Gonzaga, da secretária municipal de Bem-Estar Social, Nara Amorim, e do deputado estadual Rafael Martins (PSD).






