Alunos e educadores debatem na escola o fim da violência doméstica

Alunos e educadores debatem na escola o fim da violência doméstica

Coletivo da Lua transforma escola Carmen Barroso com Hip-Hop e combate à violência contra a mulher

 

Em Pedro Leopoldo, cidade de Luzia, a luta pelos direitos das mulheres ganhou um novo e vibrante capítulo vindo das periferias. No encerramento do Agosto Lilás, em 31 de agosto, a Escola Municipal Dona Carmem Barroso, no Bairro Teotônio Batista de Freitas (popular Bairro da Lua), tornou-se palco de uma ação cultural e formativa inédita. Promovida em parceria com o Coletivo da Lua, a iniciativa reuniu cerca de 120 crianças, adolescentes e educadores para debater o fim da violência doméstica e a conscientização inspirada na Lei Maria da Penha.

O Hip-Hop, expressão artística que pulsa com força nos bairros da cidade e em todo o Vetor Norte, foi a linguagem escolhida para conectar e dialogar com os jovens da comunidade. A programação contou com intervenções rítmicas e performances dos artistas Ministro (Sacro Santo), Balú (Espada de Fogo), B.Boy Tiago Bsouro (D’aleto antigo Consciência Verbal), Magrobes (Daniel Siqueira) e DJ Patão. A artista Geovanna Souza assumiu os vocais e a locução, trazendo a energia feminina para o centro do espaço escolar.

A mediação técnica do encontro ficou sob a responsabilidade da psicóloga  Ângela Maria Valentim Gonçalves, profissional com mais de dez anos de atuação, especialista em Habilidades Sociais, conselheira no Conselho Regional de Psicologia e presidente da Comissão de Relações Étnico-Raciais. De forma lúdica e acessível, Ângela trabalhou conceitos fundamentais para a juventude local, como igualdade de gênero, respeito mútuo, proteção social e os impactos psicológicos do machismo.

A ação conscientizadora reuniu educadores e artistas na escola Carmen Barroso

A necessidade de levar o debate para o chão da escola pública em Pedro Leopoldo é reforçada por dados alarmantes. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública registrou 1.571 feminicídios no Brasil em 2025, uma média de quatro mortes por dia. Em quase 80% dos casos o autor é o parceiro ou ex-parceiro da vítima, e 62,6% das mortas são mulheres negras, recorte que reflete a realidade das periferias brasileiras e dos bairros populares do município.

A diretora da unidade, Thayagne Ferreira Faustino, ressaltou que parcerias como essa são indispensáveis para formar cidadãos conscientes e construir um ambiente escolar seguro, especialmente para as meninas. Em sua fala, a psicóloga Ângela Valentim enfatizou que a mudança dessa estatística exige munir as jovens de informação e convocar os meninos a assumirem a responsabilidade pelo fim da violência. Já o artista Ministro, que atuou na fundação do antigo Coletivo AdicioManos em 2003, destacou a importância da arte urbana como ferramenta de reflexão política na cidade, lembrando que combater o machismo é enfrentar a raiz do problema sem transferir a culpa para a vítima.

Com marcante liderança feminina na condução do evento, a ação reafirma o papel do Coletivo da Lua na democratização da cultura de rua e na transformação social dos bairros de Pedro Leopoldo.

Serviço em Pedro Leopoldo:

Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher (gratuito, nacional e 24h).

Disque 190: Polícia Militar (para emergências e risco imediato).T

Texto e fotos de Vanderlei Dias

Redação

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