Um artigo de Gael Silveira
Neste 19 de agosto, Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua, tivemos mais uma oportunidade de refletir sobre a importância de proteger e garantir dignidade a quem mais precisa. Essa data não pode ser lembrada apenas com palavras bonitas: ela exige compromisso, coragem e ação.
O acolhimento vai além da caridade. A caridade, quando isolada, é insuficiente e muitas vezes nasce mais do ego do que da transformação. É na prática que mostramos cuidado. E cuidado significa dar condições para que as pessoas reconstruam suas vidas, com políticas públicas que deem acesso a alimentação, higiene, saúde, trabalho e moradia. Precisamos enfrentar essa questão de frente, porque é sobre dignidade e amor ao próximo.
Infelizmente, em Pedro Leopoldo, caminhamos em sentido contrário quando vimos o fechamento do Centro de Apoio à População em Situação de Rua, sem diálogo amplo com a sociedade. Essa decisão foi uma perda importante. Ao invés de reduzir, precisamos ampliar as políticas de acolhimento. Sabemos que não é só dar água e banho, mas isso é o mínimo para que possamos avançar.
Nosso mandato tem atuado para que esse tema não seja invisibilizado. Apresentamos requerimentos pedindo esclarecimentos sobre a continuidade dos serviços prestados no Centro de Apoio, questionamos a nova estrutura anunciada para acolher a população em situação de rua e indicamos ações emergenciais, como a distribuição de cobertores durante o período de frio intenso. Esses passos são importantes, mas ainda insuficientes diante da urgência do problema.
O que está em jogo é muito maior: ou avançamos na construção de uma cidade que garante dignidade a todos, ou abrimos espaço para o higienismo, que tenta “limpar” a cidade escondendo os mais pobres, ao invés de incluir, apoiar e transformar. Essa lógica desumana não pode ter espaço em Pedro Leopoldo.
Seguiremos cobrando e construindo. Porque acolher não é favor, não é caridade: é direito. E não descansaremos enquanto houver pessoas invisíveis nas ruas da nossa cidade, sem dignidade, sem oportunidades e sem chance de recomeçar.



