Algumas histórias e meus preitos de gratidão

Algumas histórias e meus preitos de gratidão

Texto de Renato Hilário dos Reis

Sou Filho de José Hilário da Silva e Mercedes dos Reis Silva. Meu pai era carpinteiro da Fábrica de Tecidos, músico da Banda de Música Cachoeira Grande e filiado ao PTB-Partido Trabalhista Brasileiro. Foi vereador pelo PTB de 1955-1958. Minha mãe também trabalhou na Fábrica de Tecidos e foi professora da Zona Rural, em Palmital, município de Esmeraldas, onde ambos nasceram, e migraram por razões diferentes para nossa Pedro Leopoldo.

Na década de 1960, eu fazia Filosofia em Belo Horizonte. Primeiro, na Universidade Católica de Minas Gerais, hoje PUC-MG e depois na Universidade Federal de Minas Gerais-UFMG. Morava comigo, em um quarto da Pensão da Dona Carmem, à rua Gonçalves Dias, 720, Wilobaldo Oliveira Alves, então, estudante de arquitetura. Ambos trabalhadores-estudantes. Ele, no Banco Mineiro do Oeste e eu, no Banco Mercantil de Minas Gerais, hoje, Banco Mercantil do Brasil. Concursado pelo Mercantil em Pedro Leopoldo, transferi-me para Belo Horizonte, por razão de estudos e de uma possível vocação para o sacerdócio, em gestões realizadas pelos inesquecíveis Padre Sinfrônio de Torres Freitas, nosso vigário, e Dom Serafim Fernandes de Araújo, nosso bispo.

Sou católico de origem na família: meu pai e minha mãe me iniciaram na fé católica, mas era de cumprir os deveres normativos da fé, sacramentalista, o predominante na época. Mas, foi com Sílvio José Viana Bahia, os frades dominicanos e a JUPEL-Juventude Pedro Leopoldo, que descobri e vivo até hoje um cristianismo que constrói um céu já aqui na terra, à medida que as relações sociais do capital e do trabalho estão enraizadas em igualdade, fraternidade e solidariedade, ou seja, todas as pessoas têm um mesmo valor social-econômico-cultural, quer seja em gênero, raça, credo, classe, sexo e tudo o mais.

Esta face do meu cristianismo católico está narrada/fundamentada/alicerçada no livro “JUPEL-Memórias de um Movimento Político Cultural de Pedro Leopoldo nos anos 1960”, publicado em 2021 e organizado por Georgina Alves Vieira da Silva, Ivan Domingues Lúcia Alvim e eu.  Este livro e a mobilização em torno dos valores da JUPEL geraram o excelente e celebrado livro:” Arte e Cultura em Pedro Leopoldo: centenário, saberes encantamentos”, organizado por Georgina Alves Vieira da Silva, Ivan Domingues. Eduardo de Assis Duarte, publicado pela Gráfica Tavares e lançado, solenemente, em outubro de 2025, no Clube Social Pedro Leopoldo.

Certa vez, movido talvez pela necessidade de conhecer minhas origens, Wilobaldo viaja de Belo Horizonte a Pedro Leopoldo e, sem que eu soubesse, bate na porta da casa de minha família, à rua Comentador Antônio Alves, 679. É atendido por meu pai e simplesmente diz a meu pai: “Moro com o Renato em Belo Horizonte. Vim conhecer vocês. Meu pai, então, dá a seguinte resposta: “Amigo de Renato, amigo meu e de minha família é”. Neste dia, Wilobaldo conhece, almoça junto com minha família e retorna a Belo Horizonte, feliz em me contar da sua experiência de felicidade pelo acolhimento de pai e mãe.

Quando ainda na Jupel, fizemos um encontro de adolescentes e jovens em um sítio em Angicos, no município de Vespasiano. Durante o encontro, para brincar um pouco e na correta intenção em descontrair o ambiente, alguns participantes soltaram rojões, que é claro, fizeram barulho. Este barulho, ouvido por vizinhos ao sítio, gerou uma denúncia a órgãos policiais da época, que era da ditadura civil-militar que durou de 1964-1985, ano em que se dá a redemocratização do Brasil.

Pois bem, um veículo de imprensa, de grande circulação em Minas Gerais à época, publicou que estávamos treinando guerrilhas e, é claro, o assunto chegou a Dom Serafim, bispo da Arquidiocese de Belo Horizonte e a Padre Sinfrônio, nosso vigário. Depois dos esclarecimentos do nosso bispo e do nosso vigário, o assunto é encerrado e nós respiramos aliviados. E continuamos a viver a Jupel, cada uma e cada um participante, em seus desdobramentos de um cristianismo emancipante-transformador.

Ainda com meu pai José Hilário, há uma frase que ele dizia quando enfrentávamos as dificuldades e obstáculos que sempre aparecem na vida de cada uma e cada um de nós: “Há sempre um amanhecer depois de um anoitecer”. E eu, acrescento: “Em Deus-AMOR, a vida sempre vence a morte. Morramos e Ressuscitemos, pois, em cada instante e momento de nossas vidas.”

Por fim, minha gratidão à nossa amada Pedro Leopoldo em seus 102 anos. Obrigado, pedro-leopoldenses de ontem e de hoje.

 

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Redação

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