
Fico sabendo na maior felicidade que Lucinha Alvim e Carol Malaquias estão em conversações muito adiantadas para a realização de um grande espetáculo no recém-restaurado Casarão do Campinho, ou dos Teixeira, ali na beira da MG-424. A socióloga Lucinha, responsável pela obra, mais a maestrina, querem fazer ali um concerto especial da Orquestra Sinfônica Cachoeira Grande – ao ar livre, debaixo de uma grande árvore, naquele lugar lindíssimo e inspirador.

O Casarão – que acaba de completar 100 anos e foi objeto de matéria no AQUI PL – está quase pronto e, mesmo sendo um empreendimento privado, vai abrigar uma série de ações públicas, em especial na área cultural, como espetáculos, exposições, festivais, encontros de enófilos, cursos e treinamentos, além de casamentos e outros eventos festivos. Ações que prometem se refletir em oportunidades para os pedro-leopoldenses, como é próprio da economia criativa, que gera retorno significativo em termos de riqueza e empregos.
Shows, mostras, festas e eventos similares demandam utilização intensa de força de trabalho, ao mesmo tempo em que atraem visitantes à cidade. Estes utilizam serviços de hospedagem, alimentação e lazer, que geram oportunidades adicionais nos mais diversos negócios, sejam eles uma pousada, um bistrô ou um salão de beleza.
O Casarão tem um potencial a mais se considerarmos o complexo ao seu redor: muita área verde, a Igrejinha dos bexiguentos e o possível Museu de Chico Xavier, no Açude do Capão, infelizmente ainda um esqueleto procurando a finalização do projeto de Sylvio de Podestá.
Iniciativas como estas podem fazer Pedro Leopoldo se tornar um polo turístico do seu jeito, ao seu estilo. Afinal, nem toda cidade nasceu Ouro Preto, que é toda ela patrimônio cultural da humanidade e, como tal, atrai gente de todos os lugares e culturas.
Aos poucos, Pedro Leopoldo está se tornando uma cidade turística diferente, para diferentes grupos. Virão para cá pessoas atraídas pelos eventos do Casarão do Campinho, ou que querem fazer uma promessa para os bexiguentos. Ou aquelas que admiram Chico Xavier e querem conhecer os registros de seus passos na terra em que nasceu. Terra que também abrigou Luzia, a primeira brasileira e guarda aqui o acervo arqueológico deixado por seu povo.
Agora, no final do ano, será inaugurada a primeira fase da Destilaria Lamas. Quando o projeto, que se destaca pela beleza e sustentabilidade, estiver todo pronto – o que está previsto para daqui a 18 meses – ele terá pelo menos dois tipos de visitantes, além de clientes e técnicos da área.
Um grupo será formado por aqueles que virão conhecer o processo de destilação de uísque, fazer visitas guiadas e degustações da bebida, avaliada entre as melhores do mundo. Um turismo de experiência, oferecido em locais como a Escócia, o Japão e os Estados Unidos, grandes produtores da bebida. E a partir de então, também em Pedro Leopoldo.
Outro grupo de pessoas virá conferir o belíssimo projeto paisagístico, cuja proposta privilegia espécies do Cerrado, inclusive o Faveiro-de-Wilson, árvore em extinção que será cultivada em um ecojardim, processo a ser acompanhado por biólogos e ecologistas de todos os cantos do país.
Todas essas pessoas – e elas são muitas, acreditem – chegarão em qualquer época do ano. Se hospedarão em nossos hotéis e pousadas, frequentarão nossos atuais restaurantes e aqueles que surgirão para atender a uma clientela crescente; farão compras em nossas lojas e, atentas às oportunidades que estarão surgindo, talvez até decidam investir em Pedro Leopoldo e viver aqui. Como muita gente que veio para cá e acabou ficando. E como nós, que temos este privilégio desde que nascemos.




