Texto de Dirceu Viana (Juninho)*
No aniversário de Rosa, dei a ela um perfume. Simples demais, mas ela nunca esqueceu o gesto e insistia em retribuir com o que podia de melhor. Semana passada, numa caminhava matinal pela rua de cima já imaginava encontrá-la. Do portão, o posto de observação, ela me viu e abordou: “ô filho, quando é que você vai marcar a galinhada? Tá demorando muito!”
“Em fevereiro, Rosa, em fevereiro.”
“Então vou me organizar, mas você precisa dizer para quantas pessoas.” “Deixa comigo”.
A galinhada era especialidade da casa e agora tinha uma data para acontecer. Mas o destino decidiu atravessar. Rosangela Maria nos deixou ontem, assim, de surpresa, aos 71 anos.
Dr. Lund é um canto apertado entre o rio e a linha de trem, com duas ruas pra lá e duas pra cá. Para um desavisado, não há muito o que ver ou fazer. As mesmas famílias estão ali há gerações, as ruas são vazias, na rotina silenciosa sabe-se um pouco do outro – às vezes sabe-se demais! – e como resultado dessa trama social surgem uns personagens bons de prosa. Dá para fazer uma lista e Rosa era uma dessas boas conversadeiras.
A família que conheci começou com Faustino e Dona Conceição numa das casas mais antigas da vila e essa memória arquitetônica segue lá. Os filhos da segunda geração foram batizados Silvano, Quim, Brasinha, Dilermano e Rosângela, a única mulher. Todos herdaram o sorriso fácil de Dona Ceça. Quando criança eu era grudado com Brasinha e ainda guardo cartas desta época. Quim e Dilermano seguem entre nós.
Rosa deixa três filhos: André, Carlos Eduardo e Sidney. Que eles tenham força e coragem neste momento. Pelo que conhecemos, Dr. Lund vai prestar suas homenagens e a Igreja vai encher.



