Da reforma ao acolhimento: um novo capítulo na saúde materno-infantil em Pedro Leopoldo
“Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia”, diz a citação atribuída a Leon Tolstói. A frase nos convida a olhar para dentro, a valorizar o que nos é familiar e contribuir para melhorar o que nos cerca – preferencialmente em favor de quem mais precisa.
E é com este objetivo que o Hospital e Maternidade Eugênio Gomes de Carvalho está iniciando uma campanha para arrecadar recursos que se revertam em melhorias para as mais de 100 pessoas ali atendidas diariamente, em especial para os 70 partos realizados por mês, todos pelo SUS. A ideia é reformar e pintar a fachada, anunciando, com um projeto mais bonito, as reformulações que já acontecem internamente.
Isto porque, antes mesmo de recorrer à comunidade, a maternidade, como é chamada, promoveu diversas benfeitorias, que já são sentidas por quem utiliza diariamente os seus serviços. A equipe médica foi renovada, o centro cirúrgico recebeu novos equipamentos e o pronto-atendimento de urgência, disponível 24 horas por dia, inclui clínico-geral, ginecologista/obstetra e pediatra.
O convênio com a prefeitura, que cobre o atendimento em várias especialidades, vai qualificar o pré-natal, complementando a assistência que a gestante recebe na UBS. “Com 28 semanas de gravidez, ela começa a frequentar a maternidade, participando de rodas de conversas e recebendo orientações sobre plano de parto, planejamento familiar e plano de amamentação, entre outras orientações”, explica a diretora-executiva da maternidade, Thais Damiani.
O propósito é integrar toda a assistência disponível às mulheres para o pré-natal, o parto, pós-parto e o próprio planejamento familiar. E também consolidar a Maternidade como referência na região em urgências e emergências obstétricas – inclusive casos de alto risco, já que o Samu traz os casos e ali a paciente é estabilizada, antes de ser levada para um centro especializado.
O ambulatório já oferece vários serviços como ultrassom, fonoaudiologia com teste de orelhinha e até emissão de certidão de nascimento para a criança que nasce na maternidade. E vai iniciar procedimentos como a profilaxia de contaminação por HIV e implantação de DIU – além do atendimento já prestado a vítimas de crimes sexuais, no qual a maternidade pedro-leopoldense é referência em Minas.
Nova fachada
“As mudanças mais profundas, muitas vezes, começam pela superfície. Uma nova pintura, uma fachada renovada, são os primeiros sinais visíveis de que algo está se transformando”, explica o diretor-clínico da Maternidade Eugênio Gomes de Carvalho, Sérgio Bogado.
É assim que o médico explica as benfeitorias que estão sendo planejadas pela administração do hospital e que incluem a reforma e modernização da fachada, uma nova entrada para o pronto-socorro – que passa a ser separado do atendimento de rotina – a construção do almoxarifado e a instalação de um elevador.
O elevador vai viabilizar o aproveitamento do terceiro andar do prédio, hoje ocupado pela administração. “A ideia é transferir o administrativo para o prédio anexo, que está sendo reformado para abrigar a clínica da mulher”, esclarece Bogado.

As transformações projetadas para o hospital, criado em 1960, vão além das mudanças externas. Atendendo prioritariamente pelo SUS, a maternidade é a única aberta no vetor norte, recebendo gestantes em qualquer momento da gravidez e recém-nascidos até 29 dias.
“A maioria é de mulheres em situação de vulnerabilidade social, sem exames, sem pré-natal. Temos uma equipe multidisciplinar com médicos, enfermeiras e obstetrizes, além de plantão com clínico, obstetra e pediatra 24 horas”, informa Thais Damiani.
Uma grande novidade é o Centro de Parto Normal (CPN) Florescer, inaugurado há um ano, que é um dos maiores de Minas. Ali, um ambiente acolhedor e seguro aguarda as futuras mamães que optam pelo parto normal – foram 500 neste primeiro ano de funcionamento. O Centro é chefiado por Ana Cláudia Capanema, obstetriz formada na USP, única universidade a oferecer o curso no país. Sua equipe inclui mais quatro obstetrizes e três enfermeiras-obstetras.
O CPN tem salas agradavelmente decoradas – cada uma com o nome de uma flor – nas quais a mulher faz o pré-parto, o parto e o pós-parto no mesmo local. O médico só é chamado no caso de uma intercorrência, que é atendida no bloco cirúrgico. Um jardim vertical, além de enfeitar o local, guarda lembranças de quem ali veio ao mundo. Os pais que desejarem podem doar um vaso de plantas com o nome do bebê.
“Prezamos o atendimento humanizado e o foco é a qualidade da assistência prestada à mulher. A gente oferta vários métodos não farmacológicos para aliviar a dor, pensando no parto como evento fisiológico. Ela fica o tempo todo no mesmo ambiente, assim como seu acompanhante, durante o trabalho de parto”, aponta Ana Cláudia.
“O parto normal reduz riscos de complicações pós-parto, facilita a recuperação da mãe e fortalece o vínculo com o bebê. Este centro é um avanço significativo para a saúde materno-infantil, proporcionando um atendimento mais humanizado às gestantes da região”, acrescenta.
A maternidade também funciona como hospital-geral e realiza cerca de 50 a 60 cirurgias eletivas por mês nas áreas de cirurgia-geral, angiologia, ortopedia, oftalmologia. Além de 70 partos, em médias, de mães que vêm de toda a região. As futuras reformas vão ampliar a capacidade para até 150 partos normais por mês, além dos partos cesáreos realizados no centro obstétrico.
“A maternidade não vai mudar apenas na aparência. A nova cor nas paredes e a construção de novas estruturas são melhorias que os clientes e profissionais merecem. Mas são principalmente o prenúncio de novas ideias, de ambientes que se reorganizam, de espaços que se adaptam para novos e melhores tempos”, finaliza Sérgio Bogado.






