MEU PAI, COM QUEM APRENDI A BELEZA DAS PALAVRAS

MEU PAI, COM QUEM APRENDI A BELEZA DAS PALAVRAS

Por Amélia Corrêa Passos*

Uma palavra tão pequenina e, como diz Mário Quintana sobre a palavra mãe: “três letras apenas e nelas [também] cabe o infinito….”

Foi com meu pai, nascido no final da década 30 – um homem sério, trabalhador e honesto – que aprendi muito!!!!

Foi a partida dele que me ensinou, pela primeira vez, de verdade, o que é perder alguém e ter a ausência, como uma saudade constante, às vezes vai… e sempre volta…

Ele era um poeta. Foi com ele que aprendi a beleza das palavras. Tenho certeza de que muitos dos pais dos meus amigos, da minha geração, fizeram o mesmo com seus filhos: sem grandes discursos, apenas com o exemplo — lendo todos os dias. Eu sempre o via com um livro nas mãos e ele sempre tinha uma citação para compartilhar.

Na minha turma da 8ª série, nos idos anos 90, houve um Dia do Estudante em que cada aluno recebeu uma lembrança enviada pela família, entregue na sala de aula. Meu pai enviou uma rosa e em um cartão datilografado escrito “estudar é amargo, mas seus frutos são doces.” Carrego essa citação comigo até hoje.

Nascido e criado em Pedro Leopoldo, viu o cinema surgir e o Cine Otoni atingir seu auge. Ele sempre falava com saudosismo disso. Foi das telas – algo comum naquele tempo – que trouxe o hábito de fumar, um “charme” que acabou lhe fazendo mal, e o obrigou a parar. Eu, a filha mais nova de cinco irmãos, não me lembro dele fumando. Quando eu nasci, ele já havia largado o vício. Mas, minhas irmãs lembram, com nostalgia, das bolhas de sabão com fumaça dentro. Um mau hábito, sim – mas que rendeu memórias afetivas.

Quando trago o meu pai à memória, vem aquela imagem clichê…de pai e filha de mãos dadas. Mas, é assim que todo pai deveria ser – e foi assim que ele foi para mim. Alguém que me deu a mão, me ajudou a atravessar a rua, a aprender andar de bicicleta, que me levava para o balé e para o Boi da Manta!!! No colo dele é que vivi as primeiras emoções da nossa festa maior!!!!!

Meu pai — como tantos outros — foi, por muito tempo, aquela presença que só chegava à noite. Sempre ocupado, sempre trabalhando para garantir o melhor para os filhos.

E o maior legado que ele deixou e que os pais deixam, sem saber, sem dizer, são suas ações, suas palavras, seus olhares. Se deixam existir e continuam existindo em nós.

*Amélia Corrêa Passos é filha de Halem Passos de Freitas, nascido em 1939, falecido 2018

Redação

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