Mulher: educação, cuidado, valorização e busca por um futuro melhor

Mulher: educação, cuidado, valorização e busca por um futuro melhor

Por Sônia Maria Rodrigues Costa*

Falar sobre o Dia Internacional da Mulher é, antes de tudo, reconhecer que ser mulher sempre representou desafios, mas também capacidade, força e evolução. As mulheres ocupam múltiplos espaços, com expectativas e responsabilidades diversas. A mulher contemporânea estuda, trabalha, lidera, ama, cuida, educa, sustenta, empreende. Comumente, se dedicam à gestão de múltiplas tarefas simultâneas e tendem a desenvolver uma visão mais ampla, holística e contextual das situações. Mas lida com cobranças sociais intensas. Em muitas situações, ainda convive com a necessidade constante de provar sua competência.

Nesse cenário, a educação ocupa um lugar central. É por meio dela, seja aquela “vinda de casa”, ou permeada pela escola e pela sociedade, que mulheres constroem autonomia, ampliam oportunidades e transformam realidades, as próprias, as de suas famílias, as de suas comunidades. Ao mesmo tempo, a educação também é um espaço onde muitas mulheres atuam profissionalmente, exercendo funções diversas como os serviços gerais, a docência, o apoio pedagógico, a gestão, todos esses serviços essenciais que mantêm as instituições em funcionamento. Isto atesta a importância da presença e da atuação das mulheres nos mais diversos campos e espaços.

Entretanto, os avanços conquistados não eliminam os desafios contemporâneos. A sobrecarga emocional é uma realidade para muitas mulheres, especialmente aquelas que acumulam diferentes papéis: estudantes, esposas, mães, cuidadoras, profissionais, líderes e outros. Estudos e vivências cotidianas mostram que, apesar dos avanços no acesso à formação e ao mercado de trabalho, as mulheres ainda enfrentam desigualdades e violências inaceitáveis, no Brasil e no mundo.

Culturalmente associadas ao cuidado da casa e da família, as mulheres enfrentam uma dupla ou tripla jornada, dedicando muitas horas semanais ao trabalho não remunerado. Expectativas desproporcionais e uma cultura que naturaliza o cansaço feminino como parte do “dar conta de tudo” são fatores agravantes.

A menor valorização da mulher no mercado de trabalho brasileiro persiste em 2025/2026, caracterizada por disparidades salariais significativas, menor participação na força de trabalho e sub-representação em cargos de chefia. Dados do IBGE e do Censo 2022 confirmam que mulheres brasileiras são mais escolarizadas que homens. Têm mais anos de estudo, maior conclusão do ensino médio e maior representação no ensino superior. No entanto, enfrentam uma disparidade salarial, recebendo significativamente menos. Tendem a ser concentradas em setores com remuneração inferior, enquanto ocupações com salários mais altos ainda são dominadas por homens.

A presença feminina em cargos de alta gestão é baixa, e as mulheres ganham cerca de 21% a menos que os homens no setor privado, segundo o 4º Relatório de Transparência Salarial do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A maternidade também é um fator estrutural que dificulta a progressão de carreira para mulheres. Há persistência de vieses de gênero no ambiente corporativo, incluindo assédio e falta de denúncia por medo de represálias.

Nesse contexto, falar da saúde emocional deixa de ser um tema secundário e passa a ser imperativo. Cuidar do outro, seja no ambiente educacional, familiar, profissional ou social, sempre foi uma marca da prática feminina. Ao ocupar espaços de liderança, ao incentivar o pensamento crítico, ao acolher diferenças e promover o diálogo, a mulher, com sua tendência a traços como calor humano, simpatia, empatia, comunicação, suas habilidades socioemocionais e abertura para sentimentos positivos, contribui diretamente para a construção de uma sociedade mais justa e humana.

No entanto, o cuidado consigo mesma ainda é, muitas vezes, adiado ou negligenciado. Reconhecer limites, buscar apoio, estabelecer pausas e preservar a saúde mental não são sinais de fraqueza feminina, mas de responsabilidade e consciência, e devem ser observados e mantidos. Assim, a mulher também educa pelo exemplo. Quando se permite cuidar de si, ela ensina que equilíbrio, bem-estar e dignidade são valores fundamentais para qualquer projeto de futuro.

Em uma instituição educacional como a Faculdade de Pedro Leopoldo, que atua da formação básica ao mestrado, esse debate ganha ainda mais relevância. Mulheres fazem parte de todos os níveis da instituição: na gestão, na docência, no corpo técnico-administrativo, nos serviços essenciais e também entre as estudantes que constroem seus projetos de vida.

A presença de mulheres neste ambiente profissional é bastante positiva, com sua tendência a focar na colaboração, na empatia e no desenvolvimento da equipe. Sua capacidade de se adaptar a mudanças, muitas vezes ligada a uma maior tolerância emocional em situações de estresse, favorece o atendimento às exigências corporativas.

Reconhecer essa presença é reconhecer que a educação se faz, diariamente, também pelo trabalho e pela dedicação feminina.

Celebrar o Dia Internacional da Mulher, portanto, vai além da homenagem. É um convite à reflexão sobre como a sociedade tem acolhido — ou sobrecarregado — suas mulheres. É também um chamado para que instituições, famílias e comunidades compartilhem responsabilidades, promovam ambientes mais saudáveis e reconheçam que o desenvolvimento humano passa, necessariamente, pelo cuidado com quem educa, trabalha e transforma.

Que este dia seja marcado não apenas por palavras de reconhecimento, mas por atitudes concretas: mais escuta, mais equidade, mais respeito e mais compromisso com a saúde emocional, com o desenvolvimento pleno e com o futuro das mulheres. Não se trata de uma busca por superioridade feminina, mas sim de equidade, reconhecimento de valor e respeito ao espaço ocupado pelas mulheres na sociedade. Devemos garantir a participação plena das mulheres na vida política, econômica e pública, valorizando suas perspectivas e inovações.

Vamos celebrar sua coragem, sua capacidade de transformar desafios em conquistas e se tornar protagonista da sua própria história.

Realização, sucesso e felicidade para todas nós, mulheres!

*Sônia Maria Rodrigues Costa é psicóloga e coordenadora da EFG-FPL.

Bianca Alves

Criadora e editora do projeto AQUI PL, é formada em Comunicação Social pela UFMG e trabalhou em publicações como os jornais O Tempo, Pampulha, O Globo; revistas Isto é, Fato Relevante, Sebrae, Mercado Comum e site Os Novos Inconfidentes

ARTIGOS RELACIONADOS

Dia da Mulher ganha festa na Praça da Estação

Dia da Mulher ganha festa na Praça da Estação

A Prefeitura de Pedro Leopoldo promoverá, no dia 8 de março, na Praça da Estação, uma programação especial em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. A iniciativa reafirma o compromisso

LEIA MAIS
Memória, cultura e formação de leitores na praça da Estação

Memória, cultura e formação de leitores na praça da Estação

A Noite Mineira de Museus e Bibliotecas, realizada na praça da Estação, trouxe uma programação comprometida com a valorização da história e do patrimônio cultural da cidade. O próprio local

LEIA MAIS