O Café Estrela fez história na década de 1920 em Belo Horizonte. Ficava na rua da Bahia – a vida era esta, subir Bahia e descer Floresta – e reunia em suas mesas a fina flor da intelectualidade mineira. Ainda jovens, ali promoviam suas várias “noites culturais” as futuras estrelas das letras e da política como Carlos Drummond, Pedro Nava, Milton Campos, Aníbal Machado, Abgar Renault e muitos mais.
No livro “Rua da Bahia”, da coleção “BH, a cidade de cada um”, José Bento Teixeira de Salles conta uma passagem sobre a desatinada rapaziada.
Em noite de tédios e frustrações, três integrantes do grupo saíram do Estrela e vinham subindo a avenida João Pinheiro, quando um deles – seria Carlos Drummond ou Aníbal Machado? – lançou o seu protesto:
– Cidade casmurra e provinciana, onde nada acontece. Dorme a tradicional família mineira. Vocês querem ver? Vou ficar pelado agora, e subir esta avenida, e nada acontecerá.
E assim foi. Nada aconteceu.
Se fosse em Pedro Leopoldo, nem pensar. Em uma noite meio insone e com muita conversa pra trocar, eu e Lucianinha nos pusemos a olhar a rua principal do portão da casa dela. As janelas escuras, os cães calados, as luzes dos postes se refletindo sobre o asfalto silencioso e vazio, como se vigiassem a noite.
– Dava pra sair pelado, né? – disse minha amiga.
– Mas sai procê ver….. completou.



