
Texto de Márcio de Freitas*
Nunca me esquecerei daquele dia, tendo eu já percorrido pouco mais de 5 anos de minha modesta trajetória.
Numa tarde qualquer, minha saudosa Dona Naná me conduziu até uma casa onde estavam reunidas outras tantas crianças, e na entrada de uma sala grande, repleta de pequenas cadeirinhas verdes e brancas, me entregou aos cuidados de uma senhora que eu nunca tinha visto na vida.
Essa senhora vestia um conjunto verde oliva lindo e tinha um brilho nos olhos e sorriso que nunca mais esqueci, mesmo depois de tanto tempo. Sem entender o que estava acontecendo, comecei a chorar e pra meu desespero maior, olhei pra minha mãe enquanto ela se afastava, e notei que ela também chorava.
A única conclusão possível, do alto de minha vasta experiência de cinco anos, foi algo tipo “perdi minha mãe e ela também me perdeu”. Mas logo, aquela senhora elegante de olhos brilhantes e sorriso meigo me tomou nos braços e me acariciou, dizendo aos meus ouvidos, logo, logo sua mãe estará de volta.
Foram as horas mais intermináveis que vivi até então, mas elas passaram e, de fato, minha Dona Naná voltou e agora não chorava mais. Tinha sim no rosto o sorriso mais lindo que já tinha visto. Levantei-me e saí em disparada rumo à porta, sendo contido pela Tia Lígia, que exigiu-me um beijo e me retribuiu com outro, o mais doce beijo que já havia experimentado, exceto o de Dona Naná, por razões óbvias.
Neste DIA DOS PROFESSORES E PROFESSORAS, meu eterno agradecimento a tia Lígia Belisário. A primeira vez a gente nunca esquece, e, em seu nome, vai meu pedido de desculpas por não ter correspondido a todos os ensinamentos que todos vocês me proporcionaram e proporcionam e, por incompetência, nunca consegui corresponder.
*Márcio de Freitas é advogado


