
A Câmara Municipal aprovou, na última segunda, 14/7, projeto de lei do prefeito Emiliano, reduzindo a tarifa dos ônibus municipais. A passagem, que custa atualmente R$ 4,50, passará a ser de R$ 3,00 em dias úteis e R$ 1,00 aos domingos e feriados. A medida entrará em vigor assim que o Decreto Executivo for publicado — o que deve ocorrer nos próximos dias. “Nosso objetivo é criar um ecossistema econômico positivo. Com o transporte mais acessível, as pessoas podem circular mais, buscar emprego, estudar, movimentar o comércio local e impulsionar a economia da cidade”, destacou o prefeito, garantindo que a iniciativa será seguida de ampliação de linhas e horários e nova concessão do transporte público. Emiliano já falou sobre o processo em matéria no AQUI PL.
O vereador Gael Silveira, mesmo na oposição, aprovou o projeto. “O transporte público de qualidade foi uma das bandeiras que me trouxe para a política e é com muita alegria que hoje contribuo para que o tão sonhado Busão de Qualidade comece a se tornar realidade em Pedro Leopoldo. Seguimos firmes na cobrança por mais linhas e horários, pela renovação da frota e, principalmente, pela construção de uma nova concessão que realmente atenda a nossa gente”, declarou o vereador.
Aumento do subsídio
A redução da tarifa tem como contrapartida o aumento do subsídio pago à concessionária Unir. O último aditivo assinado no governo passado é de R$3,5 milhões por ano e representa, segundo a prefeitura, 40% do custo operacional. O subsídio mensal, definido já na atual administração, é de R$ 257.162,80. Com os novos valores das passagens, a Unir passa a receber do município R$ 6.361.767,54 ao ano, ou R$530.147,30 por mês. A medida vale exclusivamente para os ônibus municipais de Pedro Leopoldo.
Segundo um estudioso da área ouvido por AQUI PL, a redução da passagem é importante, mas é apenas um paliativo. “Vai beneficiar os usuários, as empresas que pagam vale transporte (inclusive a prefeitura) e muito a concessionária. Mas deveríamos ter nova concessão, com mais exigências quanto à qualidade e eficácia dos serviços oferecidos. Este é um problema colocado num contrato de 2000 que as duas últimas gestões não tiveram competência pra resolver ou ao menos propor algo”, disse o cidadão.
“E aí entra outra coisa: a política urbana. Vamos desenhar as cidades priorizando carros ou transporte público e pessoas? Porque a questão não é só sobre encorajar o uso do ônibus, mas também desencorajar o do carro. Reduzir ou zerar a tarifa é um ponto importante, com benefícios inclusive indiretos como menos evasão escolar, menos consultas desmarcadas, mas precisamos de ônibus melhores, mais linhas, mais horários”, finalizou.
Opinião do site AQUI PL
A pauta transporte público tem novas nuances, ditadas principalmente após a pandemia, quando as pessoas tiveram que fugir de aglomerações. Ficou claro que, mesmo que o transporte público chegue a um ponto ideal de tarifa (a zero, por exemplo) ou de oferta, com horários abundantes, o que ela não resolve é a questão do deslocamento: andar de ônibus anda é uma coisa que toma muito tempo do trabalhador.
Então, para vir da região norte, pode ser muito mais vantajoso pegar um uber, se o usuário vier com a mulher e os filhos, por exemplo ou se o trabalhador vier com os colegas. O valor dispendido vai ser o mesmo da passagem, com a vantagem de chegar exatamente onde ele quer em tempo ágil. Peguemos a viagem para Belo Horizonte, por exemplo, que é um verdadeiro suplício. Em primeiro lugar, a pessoa tem que sair de seu bairro e chegar à rodoviária de PL. Dali, pega um ônibus (se estiver no horário) para a Estação Vilarinho. Lá, vai tomar o metrô ou um Move para chegar à cidade ou à região hospitalar, por exemplo, e dali, vai ter que pegar um outro coletivo para chegar ao seu destino, em qualquer bairro da capital.
Neste trajeto, ele está perdendo no mínimo duas horas, acordando muito cedo e renunciando ao convívio com a família e os amigos. Uma solução que melhora muito este panorama já existe: são os ônibus executivos, que vão direto da rodoviária de PL para o centro de BH, passando pela pista do Move e chegando à avenida Alvares Cabral em 45 minutos. Infelizmente, ele é caro e tem apenas três horários (entre ida e volta) de manhã e de tarde e ninguém consegue me explicar a razão de não haver mais viagens.
Para o deslocamento dentro do município, as soluções vão além do aumento da oferta no horário de pico. Por que não pensar em um sistema que inclua Vans ou micro-ônibus no modelo de transporte escolar, ou seja, licenciado e fiscalizado pela prefeitura? O serviço pode ser prestado por microempreendedores e administrado por associações de moradores ou cooperativas, atendendo diretamente à comunidade onde estes profissionais estariam inseridos.
Pensem bem: o cara mora lá em Doutor Lund e tem uma van que vai e volta a Pedro Leopoldo o dia inteiro. Como organizar a coisa de maneira que ele não ande vazio e não tenha prejuízo? É só conversar com a comunidade, certo? Combinar horários, inclusive mais tarde, e tarifas especiais para dias de festa. Para garantir um ganho mínimo, aí sim o subsídio tem um papel especial e dificilmente chegaria a 6,3 milhões por ano. O transporte público municipal é a típica questão que pode ser resolvida em uma cidade pequena como a nossa, através de muita conversa, que. através da boa vontade e uma verdadeira disposição para ouvir, promova verdadeiras soluções (Bianca Alves)


