O meu pai… Ah, o meu papai – e como eles aparecem nas redações

O meu pai… Ah, o meu papai – e como eles aparecem nas redações

Um texto de Eliane Matilde

Na sala de aula, escuto as crianças começando a descrever o pai em propostas de redação. Nas vésperas do Dia dos pais, é comum esse tipo de intervenção: uma roda de conversa, um pouco de escuta, pausa para refletir sobre a chegada de mais uma encantadora data comemorativa.

– O que vou escrever, professora? (sempre perguntam, querem fazer o melhor texto para agradar)

Depois da pergunta, as ideias fluem e eles logo começam a traçar as primeiras linhas, montando o perfil paterno. Elas são sempre verdadeiras – e é essencial ouvir suas mensagens.

Dizem ser, o pai, um herói. Falam sobre o quanto o amam, revelam suas realizações e frustrações. A cada ano as falas se repetem em histórias diversas:

– Meu pai é o melhor pai do mundo! Ele sempre vai poder contar comigo.

– Quero ser motorista de caminhão igual ao meu pai.

– Meu pai sai comigo sempre, eu amo meu pai.

– Tenho o melhor pai do mundo, mas pena que ele demora.

– Meu pai vem domingo.

– Meu pai nunca vem.

Os pais são inspiração, mesmo quando completamente ausentes. Mas alguns se fazem um lindo presente em cada gesto do dia a dia; na porta da sala de aula, quando o olhar acha o olhar do filho e ambos se aproximam carinhosamente, seguindo o caminho que é só deles, de volta para casa. A escola fica, a aula não. A aula é eterna. As aulas ministradas pelos papais são na verdade infinitas, incontáveis momentos que se imortalizarão na memória afetiva.

Enfim, os pais permanecem em seus filhos, é uma realidade; os filhos os levam para a escola em seus pensamentos, seus cuidados, seus sentimentos. Há pais que encontram essa magia do amor e a levam para o resto da vida na melhor escola que deve existir na vida de uma criança – a família, da melhor forma possível.

 

Eliane Matilde

Eliane Matilde é mulher, mãe e professora mas, fundamentalmente, uma pedro-leopoldense que luta por sua cidade

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