É sempre um sofrimento ver a cidade destruída, os fantasmas dos sobrados e casas dos anos JK. Não há verde, mas há caramelos
Na quarta-feira, 20 de maio, estivemos em Pedro Leopoldo. Pedro, old friend autoexilado na Espanha, e eu aqui em Belo Horizonte, uma das capitais mais arborizadas do país. Fomos visitar Márcio Barbosa, o Artista, e Bianca e Ana Bem, que estava presente ao modo da ausência. É sempre um sofrimento ver a cidade destruída, os fantasmas dos sobrados e casas dos anos JK. Não há verde, mas há caramelos.
Almoçando pros lados do Matuto ou Vera Cruz, não sei mais, comida boa, mas condições sanitárias questionáveis. Quatro cães caramelos, ainda bem que gordos e saudáveis, se afocinhavam em nossos joelhos. Restaurante cheio, condições sanitárias questionáveis. É sempre bom andar pelos lados da Fazenda Modelo. É sempre bom estar no ateliê de Márcio, síntese avant la letre de objeto técnico e objeto artístico. Ele sabe explicar como funciona atualmente uma fonte de alimentação. Antigamente eu sabia.
Fabinho, seu último discípulo, sustenta a tocha acesa. Porque ainda há rádios válvulos, CDs, fitas VHS e K-7.
Eu apoio o grupo Em Patas em Pedro Leopoldo. Tirando o romantismo, há políticas públicas testadas. Programa Zero Animais de Rua em Amsterdã. Castração de todos os animais de rua em Madri. Em Betim, uma superintendência adrede. Em BH, além do hospital púbico veterinário, atua o SAMU de animais. O argumento falho: cuidar primeiro dos seres humanos. Bullshit. Toda vida é sagrada. Segundo o budismo, você pode reencarnar como uma pulga. De acordo com o espiritismo, de abundantes profitentes na cidade, numa espécie de darwinismo espiritual, a vida dorme no mineral, sonha no vegetal, acorda no animal, vive no humano e aspira ao angelical. Fui vegetariano por 5 anos.
Enquanto isso, a cachorrada caramelo continua perambulando em uma cidade sem árvores.
Aqui em Belo Horizonte, onde vivo muito feliz, há verde e caramelo – quase uma bandeira do Brasil.



