Município amplia exigências e condiciona permanência da companhia a investimentos e resultados concretos

Depois de anos de reclamações e cobranças, a Prefeitura de Pedro Leopoldo abriu uma rodada de negociações com a Copasa para enfrentar definitivamente a histórica falta de água na cidade. Para o prefeito Emiliano Braga, as tratativas representam a possibilidade de finalmente resolver uma demanda que atravessa gerações. “Nosso objetivo é resolver um problema que a população enfrenta há mais de 35 anos. Não estamos discutindo apenas a água de hoje, mas a cidade que queremos construir para as próximas décadas”, afirmou o prefeito, em entrevista coletiva à imprensa realizada na última sexta, 28/8.
O município chegou a preparar o projeto de uma nova licitação, deixando claro que a companhia precisaria apresentar a melhor proposta para continuar prestando os serviços. Pedro Leopoldo é uma cidade estratégica para Copasa. Além de já estar no sistema, é uma cidade com grandes perspectivas de crescimento e na qual ela fatura mensalmente cerca de 22 milhões de água e 10 milhões de esgoto.
Confirmando que o contrato com o município é importante para a empresa, a presidente Marília Melo e seus diretores estiveram oficialmente em Pedro Leopoldo para apresentar uma proposta de continuidade da concessão. O plano prevê mais de R$ 100 milhões em investimentos, com aumento de 50% da capacidade de abastecimento em três anos e de 70% em até dez anos.
O plano apresentado reúne oito grandes etapas de investimentos. De acordo com a proposta, as quatro primeiras etapas têm previsão de concluir, até maio de 2028, as intervenções necessárias para ampliar a capacidade do sistema para além da demanda projetada. As melhorias destinadas aos problemas enfrentados atualmente pelos moradores devem começar imediatamente, com previsão de solução até outubro de 2027, caso o programa seja aprovado.
A Prefeitura apresentou uma contraproposta, ampliando as exigências. Entre elas estão investimentos no abastecimento e esgotamento sanitário, modernização do sistema, melhorias imediatas, ampliação da capacidade e a retomada de uma agência física da Copasa no município, garantindo atendimento presencial à população.
A companhia ficou de responder na próxima semana se cumpre as exigências apresentadas pela Prefeitura. No novo contrato, a permanência da Copasa dependerá do cumprimento das metas e obrigações estabelecidas. Caso não cumpra o que for acordado, poderá sofrer sanções e até ter o contrato cancelado, conforme as regras contratuais e a legislação.
Enquanto a negociação avança, algumas intervenções já foram iniciadas, como a substituição da antiga bomba da Rua São Paulo, que, segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Matheus Utsch, poderá aumentar em cerca de 7% a disponibilidade de água.
A bomba tem cerca de 35 anos e será substituída por um equipamento novo e mais preparado para o abastecimento do reservatório Adélia Issa, responsável por aproximadamente 80% dos problemas atuais de abastecimento. Também está prevista a instalação de 10 válvulas de retenção para ajudar a manter o reservatório sempre em nível mais alto. Em novembro, a previsão é de instalação de um novo reservatório de 250 mil litros no Mirante.


